Este espaço conjuga duas paixões: o rugby e o coleccionismo. Pretende dar a conhecer (aos poucos) a minha colecção filatélica já bastante avançada sobre o tema "rugby" e, simultaneamente, aproveitar esse pretexto para, aqui e além, opinar, divulgar e testemunhar sobre "coisas" deste desporto fantástico. Claro está que um dos objectivos é conquistar adeptos para este tipo de coleccionismo, fazendo com que se juntem a este MAUL DINÂMICO!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Inscritos ou não inscritos, eis a questão!

Como devem ter tomado conhecimento, a Direcção da Federação Portuguesa de Rugby decidiu punir o Vitória de Setúbal com pena equivalente a falta de comparência ao jogo com o Rugby Clube da Lousã que se disputou no dia 6 de Março no terreno deste último.

No âmago da questão está a utilização indevida de jogadores que não se encontravam inscritos à data inicialmente prevista para a realização do jogo. A punição nada tem a ver com a atitude alegadamente fraudulenta do Vitória de Setúbal que, invocando uma avaria no autocarro, não se apresentou para disputar o jogo na data inicialmente prevista.

O Join the Maul não se vai pronunciar sobre estes factos que a provarem-se demonstram um total desrespeito pelas regras do fair-play de cujo cumprimento tanto nos gostamos de vangloriar no mundo oval.

Como atrás mencionei, a questão prende-se com a utilização irregular de jogadores. Segundo vozes anónimas presentes noutros blogs (como comentadores) esta prática não terá sido exclusiva do Vitória de Setúbal, mas será prática comum de vários clubes, incluindo clubes da Divisão de Honra/Campeonato Super Bock.

Ora, é este facto que me preocupa sobremaneira. Como é possível que isto aconteça sem que um cruzamento de dados sistemático seja realizado pelos orgãos competentes? Como é possível que os diferentes clubes participantes numa dada competição estejam a fazê-lo sem respeitar regras iguais para todos? Não é isto falsear a verdade desportiva?

Depois coloco uma outra questão: porque razão os clubes prejudicados não se manifestam? Será porque a prática é de tal forma comum que todos o fazem? Mas então que credibilidade pode ter uma modalidade que aspira a qualificar-se para os Mundiais e anseia por uma participação olímpica?

Creio que esta questão tem de ser esclarecida com urgência para que não continuem a surgir acusações (graves) contra alguns clubes. Mais ainda, creio que compete à FPR fazer um levantamento de todas as situações existentes durante esta época desportiva e aplicar as punições correspondentes: pecuniárias e desportivas, como sucedeu com o Vitória de Setúbal.

Por muita antipatia que me possa causar a atitude aparentemente deliberada e com a conivência de alguém de dentro da própria Federação (que tem de ser, obviamente, exemplarmente punido) do Vitória de Setúbal, não me parece justo punir apenas um prevaricador (apesar das eventuais agravantes) e deixar os restantes com um sentimento de que o “crime compensa”.

Aqui está um excelente momento para a recém-eleita Direcção da Federação mostrar pulso forte e demonstrar que a moralização da modalidade faz parte dos seus planos, doa a quem doer.

E estamos falados sobre a época em curso. Mas não é tudo! É essencial pensar no futuro: desde as eventuais mexidas nos regulamentos até à sua aplicação, que isto de ter regras bonitas no papel que depois não são feitas respeitar não abona nada em favor da credibilidade de uma modalidade que quer chamar a si patrocinadores e apoios estatais.

Parece-me evidente que o cruzamento de dados entre as fichas de jogo e os jogadores inscritos tem de ser realizada sistematicamente após cada jornada. Segundo parece, isto não é feito ou se o é, não com a eficiência devida. A realização deste tipo de controlos não só demoverá os que se sentirem tentados a apresentar jogadores irregularmente inscritos, como permitirá uma reacção rápida dos órgãos competentes, aplicando sanções com celeridade e não deixando arrastar decisões para o (decisivo) final da época.

Sem isto a desconfiança continuará a reinar.

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